"Que está por trás da escuridão dos olhos fechados?"
Em sua autobiografia, Paramahansa Yogananda detalha desde sua exasperante busca por um guru (para desassossego de seu pai e irmãos mais velhos) até seu último evento público, no dia 7 de março de 1952, num jantar em homenagem à visita do embaixador indiano nos Estados Unidos a Los Angeles (este último capítulo, lógico, escrito por seus seguidores da Self-Realization Fellowship). Entre ambos, temos o processo de transformação do jovem Mukunda Lal Ghosh no ser iluminado predestinado a unir o Ocidente ao Oriente através da divulgação da técnica da Kriya Yoga.
Nascido em 1893 numa numerosa família de casta alta, Mukunda era uma criança como cada um de nós. A diferença é que, desde sua infância, após a perda da mãe, aos oito anos, e sua "milagrosa" cura do cólera, ele partiu para sua peregrinação (interna e externa) em busca da espiritualidade.
Aos quinze anos, já tendo fugido mais de uma vez de casa, Mukunda ingressa na antiga ordem monástica dos Swamis após entrar em acordo com seu pai de, pelo menos, terminar o colegial (e não, ele nunca foi um aluno exemplar; suas notas não nunca foram as melhores, pelo contrário, sempre era aprovado pelo mínimo necessário). Sob a orientação de Sri Yukteswar, é rebatizado como Yogananda (Yoga, união divina, [através da] nanda, bem-aventurança). Aos 42, após ser obrigado por seu guru espiritual a cursar uma faculdade (onde, novamente, foi aprovado pelo mínimo necessário) e passar 15 anos divulgando a Kriya Yoga nos EUA, volta uma única vez para a Índia, em 1935, quando é agraciado com o título religioso mais elevado da Ordem dos Swamis, o de Paramahansa (parama, supremo, hansa, cisne; simbolizando o animal sagrado que serve de veículo a Brahma, o criador do Universo).
